A "lógica" de Deus
Postado em 31/08/2007
Da maneira mais básica e popular, e não sem a ajuda do Aurélio, poderíamos definir ‘lógica’ como sendo “a coerência de raciocínio, de idéias”. E de forma teológica, espiritual – e com a simplicidade divina que é sempre tão peculiar, contrária à humana que é sempre tão complexa – poderíamos afirmar que a lógica de Deus é inversamente proporcional à lógica do homem. Ela é matemática e ‘filosoficamente louca’, mas, espiritual e divinamente sábia.
Os gigantes do mundo são como Golias, os gigantes em Deus são como o pequeno Davi. Os gigantes humanos são grandes, fortes, bem armados e desprezam a Deus. Confiam nas próprias forças, no poder das suas armas, naquilo que é aparente e visível e que a lógica humana determina. Porém os gigantes em Deus são totalmente dependentes dEle, reconhecem a sua fraqueza e inapetência e confiam única e exclusivamente em Deus, pois, enquanto os enormes gigantes do mundo apóiam-se nos próprios pés, os pequenos gigantes em Deus apóiam-se nos joelhos. É de joelhos que o gigante em Deus é maior.
Na lógica divina, os fracos é que são fortes: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte. (2Cor. 12.9-10.) Na lógica humana, isto é irracional, pois o mundo não aprecia os fracos (eles devem ser eliminados), apreciam a lei do mais forte onde estes prevalecem.
A lógica divina, diz ao que quer ser grande entre os seus irmãos que ele deve se tornar o menor e servir aos demais. A lógica humana abomina esta idéia; todos querem ser servidos e querem mostrar o quanto são grandes, poderosos e importantes. O Senhor ensina ao que quer ser exaltado que ele deve se humilhar, pois o que se exaltar será humilhado.
Os conquistadores do mundo são os bravos, os fortes, os guerreiros, os que impõem a sua vontade pela força, mas na lógica divina os mansos herdarão a terra. Deus é aquele que diminuiu o exército de Gedeão para conquistar a vitória sobre um poderoso e numeroso exército inimigo.
E o que dizer da lógica humana que busca por meio dos prazeres encontrar a felicidade, fazendo o que pode para não encarar a vida em suas decepções e desafios, e para eliminar a tristeza e o choro. E Deus, com a sua lógica, diz: Felizes os que choram, pois eles serão consolados. (Mt 5.4.)
A lógica humana ensina as pessoas a procurarem viver em paz, mas, caso seja ferido ou magoado, obviamente seria querer demais não se vingar; ensina também a perdoar ao que vem buscar perdão e esteja pronto a não repetir o erro. Entretanto, Deus, na sua lógica, ensina os seus a amar não somente os amigos como também os inimigos; a tomar a iniciativa de perdoar o ofensor e não somente uma vez, mas até setenta vezes sete. Deus ensina também que se deve oferecer a outra face em vez de vingar-se.
O mundo aprende a acumular para si riquezas, mas Deus ensina que melhor é dar do que receber; que a verdadeira riqueza deve ser acumulada nos Céus; que o coração não deve estar nas riquezas, mas nEle, pois, onde estiver o tesouro do homem, ali estará o seu coração. As riquezas humanas são perecíveis, as que se acumulam nos Céus são eternas e mais valiosas, portanto devemos ser ricos em Deus.
Contrário à lógica humana, Deus ensina que os últimos serão os primeiros; Ele não veio chamar os justos mas os pecadores ao arrependimento; o que entra no homem não o contamina, mas, sim, o que sai, pois é do coração que provém toda a maldade existente. Quanto ao mundo que tanto almeja poder e longevidade, Deus, em vez de fazer do homem um ser divino, imortal e cheio de poderes, prefere, Ele mesmo, tornar-se homem mortal e passível de fraquezas.
Bem, podemos dizer que a sabedoria de Deus é vista pelo homem como louca, é humanamente ilógica. Por isso Deus escondeu-a dos sábios e entendidos deste mundo e a revelou aos pequeninos, aos ignorantes, incultos, aos ‘Joãos-ninguém’ da vida. Ele escolheu as coisas que não são para confundir as que são.
E enquanto os gregos, senhores da lógica, buscavam sabedoria e conhecimento coerente; e os judeus, detentores das alianças e promessas de Deus, buscavam sinais do céu, para crer que Jesus era o Deus encarnado. Aquele, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria, em cumprimento das promessas dadas ao seu povo, adentrou este mundo, revelando toda a sua glória e sabedoria aos pequeninos. Assim, os sábios e poderosos não O reconhecem, antes, crucificam-no, expulsando-o deste mundo, e continuam em busca de conhecimento e sinais.
Agora entendo porque naquela mesma hora exultou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos; sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. (Lc 10.21)
Jair Souza Leal
Pastor auxiliar na Igreja Batista Memorial do Industrial. Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica das Assembléias de Deus. Pedagogo em formação – PUC/MG. Professor de Introdução à Bíblia no Instituto Teológico Quadrangular jairsouzaleal@ig.com.br
Fonte: Lagoinha.com.